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sábado, 13 de dezembro de 2008

Projeto Rio-Mar: S. Antonio do Içá - Tonantins

Projeto Rio-Mar: S. Antonio do Içá - Tonantins

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Primeira Baixa

Na noite de 11 para 12 de dezembro, levando em conta os pressupostos de segurança e saúde, chegamos à conclusão, de comum acordo, que a Fabíola não estava em condições de acompanhar a equipe, com o quê ela iniciou o retorno ao Sul.

- Largada para Tonantins (12 dez 2008)

Não contamos com o apoio de viatura para carregar o material do Hotel até os caiaques e isso acarretou um atraso de uma hora no horário previsto para a partida. Calibrei novamente o GPS, com a expectativa de corrigir as incorreções verificadas nos percursos anteriores. Às 07 horas iniciei as remadas com um ritmo bastante lento, para que o Romeu se adaptasse novamente ao fato de remar um caiaque duplo sozinho.

- Primeira Parada

Depois de uns dez minutos já havíamos chegado a um cadenciado ritmo de 12 km/h. Apareceram, então, dois botos cor-de-rosa que nos acompanharam a uns 50 metros de distancia durante 30 minutos. A primeira parada, a uns 16 km de distância do porto, foi na extremidade sul da ilha do Pupona. As extensas praias de areias brancas abrigavam um considerável rebanho bovino, e aqui e ali se avistavam pés de feijão e de melancia, certamente remanescentes de plantações das várzeas dos períodos da vazante do rio. O GPS estava funcionando corretamente e me desloquei até o ponto assinalado para conferir sua exatidão. Fiquei satisfeito com o resultado e calibrei novamente o equipamento. A possibilidade de poder contar com o GPS em trechos mais complexos me deixou mais tranqüilo em relação às navegações futuras.

- Segunda Parada

Acompanhamos por um bom período um rebocador que, rio abaixo, empurrava uma balsa carregada de seixos rolados, mantendo um ritmo forte, até que resolvemos parar novamente no extremo norte da ilha Pupona. Ficamos observando pescadores que recolhiam o espinhel em sua montaria, resignados com o insucesso de seu labor.

- Avistando Tonantins

Depois de uma acentuada curva à esquerda, na altura da Ilha do Macuco, avistamos Tonantins a uns 8 km de distância. A correnteza forte facilitou bastante a navegação e aportamos no flutuante da prefeitura às 11h 45min.

- Contatos em Tonantins

O Romeu permaneceu com as embarcações e eu parti em busca do irmão do prefeito eleito de Tonantins, Sr Álvaro da Silva Cabral. O Cabral, como é conhecido, nos foi indicado pelo seu irmão, quando eu o conheci no Quartel General da Polícia Militar, em Manaus, no gabinete do Coronel Rômulo, Comandante do Policiamento do Interior. Na oportunidade, o futuro prefeito nos hipotecou total apoio em alimentação e pousada na sua cidade.

- Os amigos da Polícia Militar (PM)

Subimos as escadarias do porto e, como não avistasse nenhum telefone público para recorrer ao 190 (Polícia Militar), recorri a um moto-táxi e me desloquei para a casa do Sr Álvaro Cabral que, na oportunidade, não se encontrava em casa. Deixamos um recado informando de nossa chegada e nos dirigimos para o Hotel Garcia, de propriedade dele. Entregamos, na portaria, o bilhete para o prefeito e solicitamos que fosse feito contato com a PM. O cabo Libório nos atendeu cortesmente e destacou o Cabo Arcanjo e dois auxiliares para nos apoiar.

Deixamos os caiaques sob a guarda do Sr. Rodrigues no Flutuante da Prefeitura e carregamos nossos pertences, auxiliados pelos policiais militares, para a viatura policial que estacionara junto à escadaria, nos dirigindo então ao Hotel Garcia.

- Bar e Restaurante Dona Ray

Ocupamos o apartamento número 2 e os policiais nos levaram até o Restaurante da Ray, nos apresentando aos seus proprietários. A Senhora Raimunda, seu esposo Raimundo e sua adorável filha Patrícia foram extremamente amáveis conosco. Fizemos nossas refeições diárias no restaurante, sempre à base de Tambaqui frito.

- Associação dos Pescadores

O Romeu fizera, à tarde, um contato com o pastor Haroldo Fernandes de Lima e marcou uma entrevista para as dez horas do dia seguinte. Mais tarde, fizemos contato com o pastor e este nos contou sua história de vida, sua participação na criação da Associação dos Pescadores e a fundação da rádio FM Vila Nova. Ele nos agendou uma entrevista com o presidente da Associação, o senhor José Fernando de Oliveira, que nos mostrou suas realizações e projetos futuros.

- Padre Elias Augusto José

À noite tivemos o privilégio de conhecer o padre Elias, que agendou uma entrevista para as 08 horas de 13 de dezembro, a qual será colocada em http://diarioriomar.blogspot.com. Como havíamos solicitado, o padre discorreu sobre sua origem. Como fiel representante da ‘raça mestiça’, traz nas veias o sangue matizado pelas cores das diversas bandeiras consolidadas, hoje, nas cores verde e amarela. O padre discorreu com incrível lucidez sobre a história dos missionários católicos na região, sobre as necessidades da população e as atividades políticas na sua área.

- Senhor Francisco Alberto do Nascimento

Após a entrevista com o padre Elias, ele recomendou que conhecêssemos o avô de sua secretária. Ela nos conduziu até a casa do Sr Francisco. Personalidade das mais antigas de Tonantins, foi soldado da borracha e nos concedeu uma entrevista apaixonante contando sua história. O Sr Francisco nos presenteou com o livro de seu filho Alberto Francisco Nascimento – “Tonantins: sua história e sua gente”.


- Pastor Haroldo Fernandes de Lima

Às dez horas, fomos entrevistados na rádio Vila Nova pelo pastor Haroldo. Ambos nos emocionamos. O pastor é um homem dinâmico e empreendedor. Prometemos manter contato e reportar nossas impressões tão logo cheguemos à Porto Alegre.

- Sr Álvaro da Silva Cabral

Após uma série de desencontros, tivemos oportunidade de conhecer nosso mecenas, o Sr Cabral, no Bar e Restaurante Dona Ray. Conversamos sobre diversos temas e descobri que o Cabral era um irmão de armas, tendo servido em diversas unidades militares da região amazônica. Ratificou o apoio hipotecado pelo seu irmão e nos desejou sucesso na empreitada.

- Professor Cristovão Lopes Ramos

O diretor da Escola Estadual Irmã Terezinha, professor Cristovão, gentilmente, permitiu que utilizássemos suas instalações para escrever o presente artigo.

- Conclusão

Mais uma vez se torna patente a alma generosa e acolhedora do povo desta terra, cujo carinho, certamente iremos guardar eternamente em nossas lembranças.

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